Entre Fotografia e livros: pesquisando na Biblioteca do CCJF

Bate-papo na biblioteca CCJf

© Bruno Ferreira

Como desdobramento e finalização do “Seminário Internacional Fotografia e Experiência: os desafios da imagem na contemporaneidade” foi realizado no dia 22 de agosto, um bate-papo sobre fotografia e livros na Biblioteca do Centro Cultural Justiça Federal. O evento contou com a participação de uma das proponentes do seminário, pesquisadora e professora  da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Teresa Bastos, do professor Leandro Pimentel, além das alunas do programa de pós-graduação da mesma Universidade, Jane Maciel e Lia Scarton Carreira, todos integrantes do Laboratório  Fotografia Imagem e Pensamento, da ECO/UFRJ.

Entre Fotografia e livros: pesquisando na Biblioteca do CCJF proporcionou  um encontro descontraído com o público interessado através de conversas que tangenciaram o tema do seminário e das pesquisas dos participantes, com o propósito de divulgar o acervo da Instituição. A Biblioteca do CCJF é rica em livros e revistas nacionais e importados sobre cinema, artes visuais e fotografia.  Muitas das obras lá encontradas são de autoria de teóricos contemporâneos, nem sempre conhecidos do público não acadêmico, e que estão contribuindo para difundir a fotografia como pensamento teórico e fonte de pesquisa,  um nicho importante da cultura contemporânea que vem crescendo a cada dia.

A partir dos temas experiência, retrato, cotidiano, apropriação, redes  e inventário foram  escolhidas obras da Biblioteca utilizadas nas pesquisas dos organizadores, além de autores brasileiros e estrangeiros que desenvolvem reflexões  nas áreas pertinentes. Após apresentados os livros, o público pôde apreciá-los.

Público presente no bate-papo

© Bruno Ferreira

Os organizadores do Entre Fotografia e livros: pesquisando na Biblioteca do CCJF são todas integrantes do Laboratório de Fotografia, Imagem e Pensamento da ECO-UFRJ, um espaço dedicado à pesquisa e produção fotográficas, composto por professores, alunos de graduação e pós-graduação da ECO/UFRJ.

Victa de Carvalho é professora e pesquisadora de fotografia da ECO/UFRJ, onde desenvolve atualmente uma pesquisa voltada para as relações entre as fotografias do cotidiano e as possibilidades de experiência estética hoje no campo da arte. No contexto dos museus e galerias de arte, é significativo o volume de trabalhos recentes que privilegiam o banal, a vida diária e o homem qualquer. Que reformulações acompanham o campo da arte fotográfica e da experiência estética quando o cotidiano torna-se lugar da experiência? Nesse contexto, as fotografias do cotidiano refletem alguns do principais desafios da experiência na contemporaneidade.

Teresa Bastos é professora e pesquisadora de Fotografia da ECO/UFRJ atualmente com pesquisa voltada para as questões do retrato fotográfico, um gênero praticado através de várias técnicas e abordagens desde os primórdios da Fotografia no século XIX. O gênero, contudo, muda sua estética e função a cada dia, conservando no contemporâneo desde um olhar clássico oriundo da pintura e com base na fidelidade da semelhança, a um processo de desconstrução tanto identitária quanto plástica, frequente nos artistas visuais contemporâneos.

© Bruno Ferreira

Leandro Pimentel é pesquisador da fotografia na ECO/UFRJ, onde atualmente ministra aulas como professor substituto. Em 2011 defendeu a tese O Inventário como Tática: a fotografia e a poética das coleções, onde abordou as origens dos usos das coleções de fotografia na arte a partir dos anos 60. Atualmente direciona sua pesquisa para a produção artística contemporânea, onde percebe a multiplicação de poéticas que incorporam os arquivos fotográficos nos processos e na apresentação dos trabalhos.

© Bruno Ferreira

Lia Scarton Carreira é mestranda em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ, na linha de pesquisa Tecnologias da Comunicação e Estéticas, onde realiza pesquisa sobre a apropriação de imagens da internet por artistas contemporâneos. O termo apropriação é utilizado para descrever práticas diversas e é associado a diferentes conceitos, movimentos e estilos artísticos. No campo da arte, pode ser compreendida como uma estratégia que envolve não apenas uma tomada de posse, mas uma reivindicação de autoria. Através dessa estratégia é possível colocar em questão discursos e conceitos próprios da arte como original, cópia, autoria, plágio, autenticidade e originalidade. Destaca-se, nesse âmbito, a produção fotográfica do período entre 1960 e 1980 e associa-se a essa prática trabalhos recentes inseridos no contexto da Internet.

© Bruno Ferreira

Jane Maciel é mestre em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ, na linha de pesquisa Tecnologias da Comunicação e Estéticas. Autora da dissertação de Mestrado defendida em abril 2012, intitulada Exposições para a fotografia comum: imagem, tecnologia e estética no Flickr, pesquisa que discute os usos estéticos da fotografia compartilhada em redes sociotécnicas e as experiências que constituem este fazer fotográfico, através de operações de produção, edição, arquivo e circulação.

Ronaldo Entler aborda a performance fotográfica que hesita em torno do instante

© Leandro Pimentel

No último dia do Seminário Internacional Fotografia e Experiência, o professor pesquisador da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP-SP e do Programa de Pós-Graduação em Multimeios do IA-Unicamp, Ronaldo Entler, apresentou o texto “O olhar que hesita em torno do instante”.

Entler comparou a fotografia a uma performance tal como a do flâneur, que ao projetar-se no devir das coisas acaba desdobrando-se em posições ambíguas. Tendo sido herdada pela fotografia moderna, Entler afirmou que esta performance esbarra naquilo que Maurício Lissovsky chama de “espera” (apesar de remarcar a distância conceitual entre as duas abordagens), um lugar “fora da imagem” onde o tempo se refugia quando a fotografia se torna “instantânea” e deixa de exigir a longa duração da exposição. A fotografia, entretanto, teria dado um sentido de eficiência a este olhar flaneuriano que costumava deixar que as coisas passassem, perdendo-se nelas e ao mesmo tempo guardando delas uma certa separação.

Entler, no entanto, ressaltou o fato desta mesma performance que desemboca numa fotografia acabar se apagando frente à importância atribuída ao chamado “instante decisivo” fotográfico. Neste sentido, constatou que a relação da performance com a fotografia é atravessada por tensões, crises e infidelidades. No momento atual de dissolução das fronteiras entre linguagens e de extrema liberdade da arte contemporânea, o olhar fotográfico flerta com outros dispositivos como a pintura, o cinema e o vídeo, opondo-se ao instante decisivo em preferência de uma fotografia construída.

Tal crise do olhar fotográfico seria uma oportunidade de resgatar aquilo que o “bom instante” havia recalcado, ou seja, a própria performance que permite ao olhar orbitar em volta deste mesmo instante. Entler sugeriu o reconhecimento de qualidades ofuscadas pela ideia de “eficiência” e de “tiro certeiro”, insistindo na consciência do quanto esta performance que o fotógrafo herda do flâneur é hesitante e concluindo que aí mesmo, na hesitação, é que reside o seu valor, na possibilidade de se criar rotas alternativas e de assim, poder efetuar uma resistência.

Desta forma, discorreu sobre o que seria uma “forma convicta de hesitar” através da análise de obras que evidenciam esses potenciais instantes fotográficos espalhados na duração. No documentário de Chantal Akerman, News from home, de 1977, o pesquisador remarca a experiência desta artista que ao se mudar para a cidade de Nova Iorque, passa a receber por diversas cartas as cobranças da mãe preocupada com sua vida e diante disso, se expressa através da recusa de uma urgência. A câmera posicionada no meio do metrô revela a ausência de grandes estímulos ou perigo, apenas o olhar curioso de alguns e a indiferença de outros que se dedicam à leitura neste percurso urbano.

Outros vídeos citados foram os de Gustavo Pellizzon, da série Fotografias que respiram (2010) e os vídeos do coletivo Cia de Foto, Marcha (2011) e Longa Exposição (2010). Ronaldo Entler enfatiza que ambas iniciativas se afirmam como fotográficas e que num momento de corrente utilização de câmeras que também possuem o recurso de vídeo, não podemos simplesmente justificar tais obras pelo determinismo tecnológico que insinuaria ser a possibilidade técnica o que encaminha a escolha criativa.

Em Longa Exposição, por exemplo, Entler comenta a perversidade no instantâneo, que podemos perceber na transferência da responsabilidade da hesitação para o retratado, levado a acreditar que existe algum problema no equipamento e por isso, mantém a pose.

Para o pesquisador, esta “forma convicta de hesitar” ou hesitação voluntária, seria ainda hoje um modo de nos colocarmos criticamente dentro das contradições do presente. É ela que permite uma atitude positiva e necessária em todas as circunstâncias que exigem dar conta de movimentos complexos e simultâneos. Podendo ser esta a ação de transitar pela metrópole ou aquela de transitar pelas linguagens.

Milena Campe e Jane Maciel

Antônio Fatorelli fala das mutações da imagem nas intercessões entre fotográfico e o cinemático

© Leandro Pimentel

O  professor da Escola de Comunicação da UFRJ e pesquisador coordenador do Laboratório Fotografia Imagem Pensamento da mesma instituição, Antônio Fatorelli, abordou em sua fala questionamentos importantes sobre a cultura digital, suas imagens e experiências, especialmente quando se tratam de híbridos de fotografia, cinema, vídeo e imagens sintéticas.

Na mesa de encerramento do Seminário Internacional Fotografia e Experiência, Fatorelli atentou para a necessidade de uma revisão crítica da história da fotografia que não passe por uma ontologia, mas sim por essas intercessões. Retomando conceitos como “entre-imagens”, de Raymond Bellour,  “movimentos improváveis”, de Philippe Dubois, e “forma cinema”, de André Parente,  Antônio Fatorelli  abordou como o ideário de uma “forma fotografia”,  compreendida como  modelo hegemônico entre a crítica modernista,  firmou-se de maneira reducionista diante da multiplicidade deste meio.

O que acontece quando tais modelos hegemônicos da “forma fotografia” e da “forma cinema” não prevalecem? Buscando debater essas questões, o pesquisador apresentou as obras The last Century (2005), de Sam Taylor-Wood, Five (2003), de Abbas Kiarostami, e Postdamer Platz (1997-1999), de Michaell Wesely, tencionando estas hibridizações.

Na descrição do projeto de Kiorostami, o professor abordou essa narrativa mínima que se expressa no vídeo de um pedaço de madeira que se move na beira da praia, esgarçando a performance deste pequeno acontecimento como um espelhamento de todo o mundo. O tempo prolongado sobre este único objeto expande esta narrativa minimalista de liberdade cuja exibição acontece tanto em galerias quanto no cinema.

Por outro lado, a fotografia de Michaell Wesely registra as mudanças no tempo e espaço da importante praça de Berlim, Postdamer Platz. Com o obturador aberto por dois anos, o registro acompanha o tempo estendido marcado por reformas e construções neste espaço.  Nas obras citadas, as noções de imagem fixa e imagem em movimento são diluídas pelas as intenções dos artistas,  pelas tecnologias e linguagens empregadas.

Jane Maciel

Postdamer Platz (1997-1999), de Michaell Wesely

 

Historicidade e discursividade visual no fotojornalismo é tema da palestra de Benjamim Picado

© Leandro Pimentel

A fala do professor pesquisador Benjamim Picado (UFF) abordou a necessidade de pensarmos o fotojornalismo como forma de conhecimento a partir dos estudos dos acontecimentos, e de noções como senso comum, universalidade, historicidade e atualidade. Apontou que o fotojornalismo no Brasil vem sendo desenvolvido com frequência por pesquisadores fora da área da comunicação, em especial por historiadores, o que acaba refletindo nas implicações metodológicas destes estudos, como a ênfase dada à noção de documento e sua ligação com o fato.

Para o pesquisador, as imagens produzidas pelo fotojornalismo não são apenas documentos, sendo necessário unir os interesses historiográficos e comunicacionais, em outras palavras, buscar uma dimensão morfológica do documento histórico. Tais imagens marcadas pelo seu entendimento como testemunho visual e por sua pretensão de historicidade podem ser também compreendidas, segundo o professor, como acontecimentos a partir dos quais o espectador participa, revelando sua dimensão estética dada na carga emocional desta experiência.

Sua fala abordou também alguns pontos relativos às formas visuais do testemunho ocular, citando autores como Aby Warburg e Ernst Gombrich, e dando como exemplo a “Batalha de Isso”, na sua significação do instante e nos seus possíveis prolongamentos da ação. Para o pesquisador, a imagem é este signo da vontade de mediar o acontecimento, sendo importante atentar para sua trama em uma pragmática de significação.

Jane Maciel e Victa de Carvalho

“A Madona de Bentalha”, Hocine Zaourar (1997)

Maurício Lissovsky profere a palestra “Fotografia e seus duplos: um quadro na parede”

© Leandro Pimentel

No segundo dia do Seminário Internacional Fotografia e Experiência, o professor pesquisador Escola de Comunicação da UFRJ, Maurício Lissovsky, apresentou o texto “A Fotografia e seus Duplos: Um Quadro na parede” escrito em parceria com a doutoranda Juliana Martins (ECO/UFRJ).

Lissovsky iniciou sua apresentação citando Walter Benjamin e constatando que apesar do desenvolvimento acelerado da fotografia ao longo dos seus primeiros cem anos, ela havia persistido em justificar-se diante do mesmo tribunal que ela havia derrubado – o tribunal da Arte. Neste sentido, a própria fotografia teve papel decisivo no que veio a se chamar “arte pós-moderna”, particularmente na constituição deste novo habitante dos museus e galerias que atende pelo nome de “artista visual”.

O pesquisador indagou sobre este lugar de onde a fotografia teria sido deslocada, no sentido que ela parece ter sacrificado a si mesma para que uma “arte pós-moderna” viesse a existir. Desta forma, ressaltou a presença de outras histórias internas ao dispositivo fotográfico, como o papel da hesitação que funciona como núcleo da experiência da subjetivação do fotógrafo moderno e outras histórias que dizem respeito às relações entre imagem e mundo. Segundo ele, as imagens que formamos a partir do mundo vivem constantemente ameaçadas por aquelas que emergem da memória, do sonho e da imaginação. A fotografia sempre teria zelado por manter essa distância entre uma imagem que certifica e outra que ilude. No entanto, ao incluir uma imagem dentro de si mesma, a fotografia acaba encenando mais um capítulo desta história.

Robert Frank. Words. Nova Escócia, 1977.

Seguindo por esta percepção das imagens dentro de imagens, Maurício Lissovsky exibiu cinco fotografias para ilustrar o seu trabalho: Words, de Robert Frank; The Great 1937 Flood Louisville, Kentucky, de Margaret Bourke-White; Natureza-morta, de André Kertész; John F. Kennedy, de Garry Winogrand e Mulher fotografa homem em frente às gigantescas niféias, de Roberta Dabdab. Lissovsky analisou as fotografias a partir de conceitos como unicidade do registro fotográfico, advento e difusão dos meios eletrônicos, crítica social, eternidade e instantâneo e o confronto entre imaginário e realidade.

No contexto da pós-modernidade, Lissovsky ressaltou o papel cumprido pela fotografia na transformação do mundo em imagem, alterando até mesmo o modo como habitamos este mundo. O pesquisador descreveu o risco presente nas imagens atuais de desaparecimento das distinções entre imagem e mundo. Desta forma, demonstrou estar convencido de que a tensão fundamental constitutiva da fotografia e de sua cultura não foi entre verdade e mentira ou entre arte e técnica, mas entre imagem e mundo. O experimentalismo e o hibridismo contemporâneos seriam alimentados pela intuição de que o nosso destino e o destino da fotografia estão, de alguma maneira, conectados.

Milena Campe

Maurício Lissovsky escreve no blog Iconica, onde publicou o texto  “Pequena História da Fotografia – remix”,  que foi apresentado nesta palestra e que faz parte de uma série intitulada “A fotografia e seus duplos”.

André Gunthert aborda a experiência da fotografia contemporânea e propõe uma análise das singularidades

© Leandro Pimentel

Com o trabalho intitulado “Fotografia e experiência: Por uma análise das singularidades”, o professor pesquisador da École des hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) de Paris, André Gunthert,  descreveu no primeiro dia do Seminário Internacional Fotografia e Experiência o papel e as funções sociais da fotografia no cenário das novas tecnologias, estas responsáveis por transformações profundas na relação entre a teoria e a prática fotográfica na contemporaneidade. Nesse contexto, o digital teria o mérito de desfazer a disjunção moderna entre as narrativas da história da fotografia e a prática fotográfica, reconstruindo nossa experiência com a fotografia e permitindo reinterpretar os seus usos.

Após vinte anos de revolução digital, é possível perceber tanto a ruína da indicialidade, que vem desconstruindo a confiança na verdade das imagens, quanto uma continuidade fluida das formas e práticas fotográficas, o que parece ainda manter a sua credibilidade, independente de ser analógica ou digital.  Para André, esta mudança sutil pode ser abordada por uma verificação pragmática da experiência fotográfica, compreendida de maneira ampla, que vai da percepção à ação e que recobre um espectro de interações com o mundo que o indivíduo pode apreender de maneira passiva ou ativa, em usos profissionais e privados.

Gunthert desenvolveu  sua conferência a partir de seis níveis que passam pela localização da imagem no cenário digital a partir da redefinição da experiência da fotografia em suas etapas de produção, seleção, documentação, difusão, consumo, reação, conservação e reutilização das imagens.

Na produção fotográfica, o professor enfatizou o evento que tende a se organizar em torno do ato de fotografar/filmar, que ressalta uma mobilização de atenção e manifestação de interesse, complementares à mobilização técnica do registro visual. Esta avalanche de atenção caracteriza o evento fotográfico marcado pela atratividade percebida na multiplicação de câmeras profissionais e amadoras.

Do ponto de vista da difusão, Gunthert atenta para o montante de imagens arquivadas em plataformas como Flickr e Facebook, sendo esta última o maior arquivo fotográfico que temos hoje.  Tais mídias permitem uma prática de interação e conversação, que evidenciam uma mobilização com as imagens, e não apenas sobre elas, nesta experiência de “fotografar para compartilhar”, que pressupõe um tipo específico de uso desde o momento da tomada.

Gráfico ilustrativo da dimensão quantitativa de arquivos fotográficos

A difusão, reação e consumo fotográficos também foram discutidos diante de novos usos de mobilização política, a exemplo das reapropriações de imagens eleitorais. O pesquisador citou o caso da campanha de Nicolas Sarkosy, La France forte, que foi rapidamente desviada do seu sentido para dar lugar a uma série de manipulações que ganharam maior repercussão que a própria imagem original.

Print screen da página do Google Imagens, resultado da busca pela expressão “La France forte”

André Gunthert enfatizou que pensar a fotografia a partir da noção de experiência nos permite fazer a passagem da generalidade à singularidade. André relembrou ainda o trabalho do antropólogo e sociólogo canadense Erving Goffmann, que estudou com bastante atenção e perspicácia os comportamentos mais banais do dia-a-dia e que nos proporcionou descobrir a complexidade da construção das menores formas sociais. Para Gunthert, podemos nos servir desta guia para renovar a análise da fotografia como mediadora de relações sociais. Se a fotografia é um fato social, então, ela nos permite retornar à escala da singularidade, à riqueza e à espessura da experiência, para perceber o que nós jamais nos dignaríamos a olhar.

Teresa Bastos e Jane Maciel

Inscrições

O Seminário Internacional Fotografia e Experiência será realizado na sala de cinema do Centro Cultural da Justiça Federal-RJ.  As vagas são gratuitas e limitadas, e os interessados deverão chegar com antecedência. Lembramos que as inscrições serão realizadas apenas presencialmente e por ordem de chegada nos dias do evento.

Os interessados poderão solicitar a declaração de participação no evento, que será encaminhada por email pela secretaria do seminário em até 30 dias.

Seminário discute relações entre fotografia e experiência no CCJF

O Centro Cultural Justiça Federal sediará de 14 a 16 de agosto 2012 das 18h30 às 21h, o Seminário internacional Fotografia e Experiência: os desafios da imagem na contemporaneidade, que visa discutir a noção de “experiência” presente nos discursos teóricos sobre arte na contemporaneidade, em particular na fotografia. O evento propõe a articulação de três mesas de debate envolvendo um teórico estrangeiro e quatro brasileiros de diferentes estados do país.

São pesquisadores de expressão e reconhecimento na área da fotografia e da cultura visual como André Gunthert (École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris/França); Mauricio Lissovsky (ECO/UFRJ), Benjamim Picado (UFF/RJ), Antonio Fatorelli (ECO/UFRJ) e Ronaldo Entler (FAAP/SP).

Como parte da programação, também acontecerá no dia 22 de agosto um bate-papo sobre fotografia a partir dos livros e publicações presentes na biblioteca do CCJF, também às 18h30.

O seminário busca atingir estudantes, professores, pesquisadores, artistas e demais públicos interessados neste diálogo interdisciplinar, que pretende debater questões sobre a experiência da fotografia no atual cenário cultural tecnológico.  A noção do termo “experiência” está sendo utilizada com sentidos diferentes, nos mais variados campos. Os artistas não cessam de ressaltar a qualidade da experiência em suas obras, os críticos descrevem as obras através das possibilidades de experiências, e pesquisadores apontam para o surgimento de uma nova modalidade de experiência com as imagens a partir das tecnologias digitais. A intenção do Seminário é mapear e refletir sobre isso.

O evento é proposto pelo Laboratório Fotografia, Imagem e Pensamento da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ), organizado pelas professoras da ECO/UFRJ e integrantes do Laboratório, Teresa Bastos e Victa de Carvalho, pesquisadoras da área de fotografia e arte com apoio da Pós-Graduação da Escola de Comunicação,  da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ; da Coordenação de Aperfeiçoamento de  Pessoal de Nível Superior – CAPES e do Centro Cultural Justiça Federal – CCJF.

Programação

Serão três dias de debate, cada um com uma abordagem específica dentro do tema do Seminário. A mesa de abertura contará com a participação do palestrante estrangeiro (com tradução simultânea) e as demais contarão com a presença de dois teóricos brasileiros de diferentes estados. Cada palestrante terá de 30 a 40 minutos para apresentação. Após haverá abertura de debate, com perguntas da mesa e do público, com duração de 30 minutos. A composição das mesas busca um diálogo produtivo entre os participantes, de modo a evidenciar o caráter heterogêneo da temática, a troca de saberes e múltiplos olhares. A inscrição é por ordem de chegada.

14/08 (terça-feira) – 18h30

Mesa de Abertura: Fotografia e experiência: os desafios da imagem na contemporaneidade

Palestrante: André Gunthert (École des Hautes Études em Sciences Sociales de Paris/França)

(com tradução simultânea)

15/08 (Quarta-feira) – 18h30

Mesa 01: A Fotografia e a experiência do real

Mauricio Lissovsky (UFRJ) e Benjamim Picado

Sinopse: o debate contemporâneo da imagem em seus mais variados campos

contempla a apreensão do real. Onde está o real? Como a experiência das

imagens e com as imagens pode traduzi-lo, subvertê-lo, criá-lo?

 

16/08 (Quinta-feira) – 18h30

Mesa 02: Entre o fotográfico e o cinemático -

Antonio Fatorelli (UFRJ) e Ronaldo Entler (FAAP-SP)

Sinopse: As novas tecnologias vem provocando deslocamentos no âmbito tanto da afecção, percepção e apreensão das imagens, como no pensamento crítico e da prática artística. Fotografia expandida, imagens interativas evidenciam o cenário visual contemporâneo.

 

Mini-curriculum dos Palestrantes

André Gunthert Pesquisador  e especialista em cultura visual . Professor da École des hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), de Paris, onde dirige o Laboratoire d´histoire visuelle contemporaine (Lhivic http://lhivic.org/) desde 2005 . Criador em 1996 da revista Etudes photographiques (http://etudesphotographiques.revues.org), primeira publicação científica francófila consagrada à história da fotografia e autor de numerosos artigos e obras consagradas à história das práticas de imagens, com destaque para o livro : L´instant rêvè. Albert Londe (Chambon, 1993). É co-autor com Michel Poivert do livro L´Art de la photographie (Éditions Citadelles-Mazenod, 2007, prêmio da Academia Francesa de Belas Artes). Criou em 2003 a lista de discussão especializada  Photohist ; em 2005 o primeiro blog consagrado aos estudos visuais:  Actualités de la recherche en histoire visuelle ; e em 2009 a primeira mídia social de ensino e pesquisa Culture Visuelle. Seus trabalhos atuais versam sobre os novos usos das imagens digitais e as formas visuais da cultura popular.

 

Mauricio Lissovsky – Historiador, roteirista de cinema e TV, doutor em Comunicação, professor e coordenador do Programa Pós-Graduação em Comunicação da ECO/UFRJ Pesquisa e escreve principalmente sobre história e teoria da fotografia, e também publicou livros e ensaios sobre cinema, arquitetura, memória e arquivos. Membro do Advisory Board do Centre for Iberian and Latin American Visual Studies (CILAVS), Birkbeck College, Universidade de Londres e do Comitê Científico das revistas DEVIRES (UFMG) e PERIFERIA (UERJ). Em 2008, publicou A Máquina de Esperar: origem e estética da fotografia moderna, Editora Maud. É autor de inúmeros artigos na área de fotografia e imagem.

Benjamim Picado  –  doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, atuando no Departamento de Estudos Culturais e Mídia e ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM/UFF), onde dirige as atividades de um Grupo de Pesquisa em Análise da Fotografia e de Narrativas Visuais e Gráficas (GRAFO/NAVI). No contexto das atividades deste grupo, conduz projetos e publica artigos versando sobre marcos teórico-analíticos do exame dos materiais expressivos da cultura midiática contemporânea, com ênfase nos modelos semióticos, iconológicos e estéticos da discursividade visual e da figuração narrativa no campo do fotojornalismo, da retórica visual da publicidade e do universo plástico e narrativo dos quadrinhos e do humor gráfico.

 Antonio Fatorelli –  Professor Associado da Escola de Comunicação da UFRJ, coordenador do Laboratório de Fotografia, Imagem e Pensamento da ECO-UFRJ e pesquisador do Núcleo N-Imagem (ECO/UFRJ). Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui Pós-dourado pela Princeton University. Atualmente desenvolve os projetos ‘Entre o instantâneo e a duração’, ‘Transcinema: fotografia e cinema nas imagens interativas’, e participa do projeto integrado ‘Cinema no campo ampliado: entre cinema e arte contemporânea’. É autor de Fotografia e viagem: entre a natureza e o artifício. (Ed. Relume Dumará, 2003), e editor de Limiares da imagem: tecnologia e estética na cultura contemporânea. (Ed. Mauad, 2006) e Fotografia e novas mídias. (Ed. Contra Capa, 2007).

Ronaldo Entler – Professor e coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP, professor da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP São Paulo - Fundação Armando Álvaro Penteado, e do Programa de Pós-Graduação em Multimeios do IA-Unicamp. É doutor em artes pela ECA-USP. Doutor em artes pela ECA-USP;  Pós-doutor em multimeios pelo IA-Unicamp. Atuou na imprensa como repórter fotográfico entre 1997 e 2002, participando também de exposições coletivas e individuais. Foi diretor artístico da área de fotografia da Fundação Cultural Cassiano Ricardo de São José dos Campos, entre 1991 e 1995. Fundador do blog sobre fotografia Icônica http://iconica.com.br/blog/


Serviço
Seminário Internacional  Fotografia e Experiência: os desafios da imagem na contemporaneidade
Local: Sala Cinema do Centro Cultural  Justiça Federal,  Cinelândia  - Rio de Janeiro

Data: 14, 15 e 16 de agosto 2012

Horário: 18:30 às 21 h

Tradução simultânea da palestra do convidado  estrangeiro
Promoção: Laboratório Fotografia, Imagem e Pensamento da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ)

Apoio: FAPERJ, CAPES, Pós-Graduação ECO/ UFRJ, UFRJ

Assessoria de Imprensa

Teresa Bastos:  (21) 88634613

Milena Campe:  (21) 79310007

E-mail: fotografiaeexperiencia@gmail.com

Blog: https://fotoexperiencia.wordpress.com